Karen Novochadlo
Laguna
O Rádio Farol de Santa Marta, em Laguna, completa 120 anos neste sábado de serviços ininterruptos, desde a sua inauguração. O prédio é mais que um patrimônio para a história do Brasil. Seu funcionamento garante a vida de muitos pescadores, marinheiros e navegadores.
Até hoje, o sistema de iluminação auxilia embarcações a localizarem a costa brasileira. As luzes do farol atingem uma extensão de 46 milhas náuticas, cerca de 80 quilômetros, equivalente à distância entre Tubarão e Garopaba. Com 29 metros de altura, é um dos mais potentes do Brasil em alcance. Barcos podem orientar-se quando os equipamentos de navegação não estão em perfeitas condições.
Inclusive, embarcações de pesca. No farol, também estão instaladas estruturas modernas para a detecção de barcos e afins, como o sistema de radar Cancun. Este pode calcular a distância da embarcação ao cabo de Santa Marta. Um bipe é emitido quando o barco entra no radar.
Todos os navios também precisam dispor de um sistema de identificação automático, o AIS. Com este equipamento instalado, a equipe do farol pode obter informações vitais para a segurança nacional, como para onde vai o barco, a velocidade e o tipo de carga.
Graças a estes sistemas, a equipe pôde detectar, há alguns anos, um acidente que ocorreu no mar e prestar socorro. As informações coletadas são enviadas para o Comando do Controle de Tráfego Marítimo, no Rio de Janeiro.
Ponto estratégico
O cabo de Santa Marta, em Laguna, é um ponto estratégico. A geografia do local é ideal para a instalação do farol, além dos perigos para a navegação que existem nas proximidades, como a laje de Campo Bom, em Jaguaruna. Navios e embarcações que vão para o Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, entre outros lugares, passam por lá.
Marca vermelha
A navegação pode tornar-se uma atividade perigosa quando não se dispõe de equipamentos adequados. O Rádio Farol de Santa Marta, com todos os equipamentos e jogos de lente, também impedem que embarcações sofram acidentes ao navegar próximo a Campo Bom, em Jaguaruna, no trecho conhecido como Lage da Jagua.
Nesta região, em 1839, houve o naufrágio do navio Rio Pardo, durante a Revolução Farroupilha. O barco levava a tropa do italiano Giuseppe Garibaldi. Para alertar as embarcações, o farol emite uma marca vermelha próxima ao trecho perigoso. Ao avistá-la, os capitães já sabem que estão perto da laje.
Três marinheiros se revezam na manutenção
Desde a abertura das cortinas ao o acendimento da lâmpada, tudo deve ser sincronizado
Karen Novochadlo
Laguna
Hoje, a manutenção do Farol de Santa Marta é realizada por três marinheiros, que vivem no local com suas famílias. Eles revezam-se nas atividades de acender a lâmpada que incide sobre os conjuntos de lentes e conservar o lugar intacto.
Todos os dias, em um horário determinado pela Marinha, próximo ao pôr-do-sol, as cortinas que protegem as lentes do farol são abertas. Em seguida, é ligada a lâmpada de mil watts. Um motor elétrico provoca o giro das lentes, realizado em um tempo regulamentado pela Marinha.
A energia é providenciada pela Celesc, mas, se por acaso ocorrer alguma interrupção, existem dois geradores de reserva. Nada pode parar a iluminação para os barcos. “Quem tem dois geradores é como se tivesse um. Quem tem um é como se não tivesse nenhum”, brinca o delegado da Capitania dos Portos em Laguna, o capitão-de-corveta André Luiz dos Santos e Silva.
E, quando amanhece, as cortinas são fechadas. Esta simples medida impede que as poderosas lentes provoquem um incêndio. Em 2008 e 2009, o prédio do farol passou por uma revitalização. As janelas cinzas foram trocadas por outras, pintadas de verde, a cor das bacias hidrográficas.
Marinha do Brasil
A missão da marinha veio para Laguna por causa da construção do Farol de Santa Marta, patrimônio histórico do Brasil e marco turístico. No dia 16 de junho de 1909, Laguna passou a dispor dos serviços relacionados à Diretoria de Portos e Costas. E, 11 anos mais tarde, foi criada a Capitania de Laguna, elevada a agência em 1983. Em 11 de fevereiro de 1993, foi transformada em uma delegacia de 2ª classe.
Visitação
No ano passado, 900 pessoas visitaram e subiram as escadas de acesso ao Farol de Santa Marta. A estrutura do prédio está aberta para turistas desde 2009. Mas é necessário marcar um horário na Capitania dos Portos, em Laguna. Um dos marinheiros responsáveis por manter o farol, é guia da visita. Esta medida impede atos de vandalismo.
Um dos mais belos da América Latina
As lentes do Farol de Santa Marta foram importadas da França. Todos os detalhes foram cuidadosamente pensados
Karem Novochadlo
Laguna
O Farol de Santa Marta, em Laguna, foi construído para ser um dos mais potentes da América Latina há 120 anos. Hoje, mantém a sua imponência, resguardando os detalhes da beleza da arquitetura original.
Parte da mecânica e das lentes foi importada da França, já o prédio foi construído com óleo de baleia, proveniente de uma armação em Imbituba. Até hoje, os funcionários procuram manter os detalhes que encantam os turistas.
“Os prédios dos faróis não precisam ser modernizadas, devem manter o ar bucólico. Quanto mais conservado, mais belo é”, avalia o delegado da Capitania dos Portos em Laguna, o capitão-de-corveta André Luiz dos Santos e Silva.
A responsável pela construção foi a empresa francesa Barbier, Benard e Turenne (BBT). A decisão pela edificação foi da família real, em 1880. A aparelhagem importada tinha 2,66 metros de diâmetro e pesava mais de uma tonelada. Antes de o farol ser erguido no cabo de santa marta, o litoral do sul catarinense era um cemitério de navios e embarcações menores.
A data de inauguração, 11 de junho, não foi escolhida aleatoriamente. É uma alusão à batalha de naval de Riachuelo, travada pela marinha brasileira contra tropas paraguaias, decisiva para a vitória do Brasil na guerra do Paraguai, em 1865.
Após ser inaugurado, o farol tornou-se o lar de sete marinheiros e suas famílias. Para chegar ao cabo, era necessário fazer uma travessia de barco de Laguna até Jaguaruna. Em seguida, continuava-se a pé ou em um lombo de burro. O trabalho de animais era necessário para levar suprimentos. O povoamento da comunidade do farol ocorreu em consequência da edificação.
Moradias históricas
As casas onde os marinheiros vivem foram construídas na mesma época em que foi edificado o Farol de Santa Marta, em Laguna, em 1890. As paredes são reforçadas para suportar a força do vento, que às vezes chega a 80 km/h. Também foram projetadas para coletar a chuva, já que não havia água potável disponível no local.
Parte da história do farol é preservada por um pequeno museu, abrigado dentro do prédio, onde são expostas peças antigas. Uma curiosidade é que o óleo usado para acender as lamparinas, lá no início do século 19, era de baleia. E o movimento circular das lentes era feito a partir de um pêndulo, que descia 29 metros. Depois, era puxado manualmente por um homem, através de uma manivela.

